
"Essa decisão não implica em nada para a Líbia internamente. Mas, com relação à política internacional, é a partir desta decisão que a ONU pode autorizar que tropas entrem no país para ajudar a solucionar a crise", explicou o professor de direito constitucional e advogado Francisco de Melo Neto. Para ele, Khadafi pode pôr um fim às várias manifestações que estão ocorrendo na região e o que fez a diferença no caso do Egito e da Tunísia foi o fornecimento de capital de outros países. "Os Estados Unidos ameaçaram Egito e Tunísia de não receber mais recursos para auxiliar com gastos, principalmente militares. A Líbia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e isso certamente dificulta essa decisão dos países ricos. Quem mais fornece dinheiro ao país é a Itália, que utiliza a maioria do gás natural da Líbia." O professor destacou que a importância da atuação da ONU. "A criação Organização das Nações Unidas foi um avanço para a política mundial e os direitos humanos estão sendo respeitados na maioria dos países graças a ela. A nova geração (que protesta nos países do Oriente Médio e do Norte da África) é quem quer que seus direitos sejam respeitados e que as riquezas sejam distribuídas entre os líbios e isso eu acho admirável."
Hosseyn Shayani é descendente de iranianos e destacou o papel do Brasil em respeitar os direitos humanos e até mesmo intervir nesta questão. "Nós, descendentes de iranianos, ficamos felizes com a manifestação do governo Lula de intervir no caso da mulher que foi condenada à morte. É importante o que os jovens estão fazendo naquela região ao protestar por melhores condições de vida. Francisco Melo Neto observou que, nos protestos, não viu imagens de queima de bandeiras de outros países, manifestações religiosas ou influência de organizações terroristas. "Percebo que é uma reivindicação por direitos democráticos. Só temo que seja uma oportunidade dos religiosos fanáticos tomarem o poder (mesmo que legitimamente) e transformar o país em uma teocracia, tal como aconteceu em 1979 no Irã, quando Aiatolá Khomeini e seus adeptos fizeram a Revolução Iraniana."
Ao falar de direitos humanos, Hosseyn citou os Baha'is, minoria religiosa (da qual pertence) que sofre perseguição no Irã há 3 anos. "Conheço pessoas residentes no Irã que não podem ter acesso à universidade ou que foram presas sem motivo. Nós lutamos pela igualdade de oportunidades para o homem e para a mulher e a livre e independente busca da verdade." Para conhecer mais sobre a religião é só acessar o site clicando aqui.
Participaram da Mesa de Debates como debatedores o jornalista Aníbal Pinto e o empresário Orlando Manera. A produção e apresentação é do jornalista Marcelo Martins.
Aníbal Pinto, Francisco Melo Neto, Marcelo Martins,
Hosseyn Shayani e Orlando Manera. Fotos: Leonardo Costa
A Mesa de Debates é exibida de segunda à sexta, ao vivo, às 11h, com reprise às 17h35. Faça a sua sugestão de tema através do email mesadedebates@tvejf.com.br ou pelo nosso twitter @mesatve.
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